segunda-feira, julho 09, 2012

MANISFESTO DIVINO: DA CRUZ À GLÓRIA!

            Entristece muito meu espírito ao perceber a atual situação literária do Brasil. Há, sim, concursos que estimulam a produção e a divulgação da Literatura, mas têm atingido a poucos. Ou pior, os inscritos são atraídos não pela arte, mas pela premiação em dinheiro. Ainda, a qualidade questionável da produção divulgada pela mídia; enquanto bons escritores estão ofuscados – seja por timidez, seja por falta de oportunidade – e precisam, apenas, de aperfeiçoamento, ou nem disso. Apenas de prestígio, de reconhecimento, de estímulo. Essa é a situação que percebo no cenário literário brasileiro pós-moderno.

            Apelo, agora, a você: escritor escondido em seu imenso talento e introversão. Publique, concorra, motive-se, brilhante vulto moldando palavras no meio da noite! Exteriorize toda essa arte que culmina em seu ser. Torne o mundo mais belo com a pura serenidade que há na escrita sua, para que a Literatura verdadeira possa reinar no país novamente. Ó, alma lírica sombria! Ressuscite! Rejubile! Resplandeça!!!

Leonardo Rander

Belo Horizonte, 3 de outubro de 2011.

domingo, abril 29, 2012

O VULTO

Ela era tão serena que me assustava.
Tão silenciosa que a rosa que lhe dei
era uma flor que gritava muda por ajuda.
Escassa era a fé que me conduzia torto
ao encontro daqueles lábios de por-de-sol.

Eu queria poder encontrá-la pela tarde.
Mas quando eu a buscava só encontrava a mim
perdido num cais em eterna ressaca.

Hoje sei que, talvez, ela nunca existiu.

domingo, agosto 21, 2011

FLOR DE LIZ

O triste do fim é a saudade.
A noite traz a saudade do Sol brilhando.
A manhã nos faz sentir falta da Lua.

E a gente se acha dono das coisas,
das pessoas, dos momentos, de nós mesmos...

Quando a gente acorda,
descobrimos que nada temos.
E nem a saudade é nossa.

Como se a rua, por ser pública,
não nos coubesse ali.
Como se nosso corpo, por ser vivo,
nos rejeitasse permanecer aqui.
Como se as pessoas, por serem amadas,
não abrissem espaço para nós.

Mas, principalmente, como se nós mesmos
nos renegássemos e quiséssemos fugir
de tudo que somos, pensamos e sentimos.

Numa ânsia insana de saudades.
Que é o triste de todo fim,
mas também a euforia do começo.

domingo, abril 17, 2011

(d)essas paixões noturnas...


ele: neném, comprei três livros e vou ficar pobre pra sempre. gastei 150,00...

eu: hum...

ele: comprei ' modernismo' do peter gay, que causou polêmica; comprei 'só garotos' da patti smith; e comprei 'daspu', do flavio lenz

eu: vc fez um ótimo investimento... qual é a da polêmica?

ele: tomara que sim! causou polêmica porque a comunidade acadêmica ficou "aloca brasil" com a abordagem dele sobre o tema... pelo menos foi o que eu li na internet. muitos concordam. muitos não... enfim...

eu: entendi... isso acontece com alguma freqüência. comunidade acadêmica se inflama à toa. somos uns dodoizinhos mal-cicatrizados, qualquer esbarrão já rompe as casquinhas e começa a rolar aquela nojeira: pus pra todo lado, inchaços, dores, etc.
às vezes, umas amputações seriam mais pertinentes.

ele: MAUSMASUASMAUMS

eu: mas, sofrimento intelecutal também é cool... porque é erudição se debater entre assombrações e outras esquizofrenias, incluindo divindades, demônios, políticas, movimentos sociais e outras fantasmagorias....

quinta-feira, dezembro 23, 2010

AGORA NÃO

Se eu morresse agora,
eu morreria feliz.
Mas não!

Eu quero a vida quente
doce, frágil, feroz

Afinal ainda não
escrevi uma árvore
não tive um livro
nem plantei um filho.

Há um universo a viver!

sábado, novembro 27, 2010

PÚLPITO

Quebraram o meu nome
na esquina agora.
Perdi alguma coisa.
Não sinto meus pés.

Sinto muito.
Agora é tarde.

São seis da manhã.
Eu gritanto aos sete ventos:
Bom dia, meus irmãos!

quarta-feira, novembro 17, 2010

FESTA DA CARNE*

Ela, quase nua no meio da rua.
Uma aquarela pintada em carmim.
Boca sedenta, minha carne engolia
num frenesi que febril me fazia.

Naquele dia, sentia daquela noite
um gozo pueril de um velho leão.

Eu era um brinquedo
nas mãos da donzela.
Me quebrava a costela
com seus lábios voraz.

Ardia na fina chuva,
no meio de todo o povo
numa noite de carnaval.


* Para matar a vontade de Leonardo Rander, que não gosta da minha prosa.

terça-feira, julho 20, 2010

é fica assim não.
faz isso mesmo!
você pode fazer tanta coisa melhor,
não se prive de oportunidades por causa de amor...

afinal o tempo e a convivência são ótimos remédios!

matam o amor.
ou o fazem nascer

mas, tão logo podem matam
péssimas parteiras que são.
talvez se trabalhassem separadamente...
é como diz um antigo ditado vampiresco:
"criança com muitas parteiras nasce morta."